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A Era do Sacrifício: Heroísmo e competência


Atenção, voluntários!


Bem-vindos ao nosso diário de desenvolvimento de A Era do Sacrifício: um RPG narrativo sobre os desastres que assolam nosso mundo e os heróis do cotidiano que se erguem para enfrentá-los. 


Nossa missão inicial é clara: trazer o suspense e a intensidade dos filmes de desastres para sua mesa de jogo. Cada sessão deve deixar vocês sem fôlego, sentindo a pressão em cada cena. Hoje vamos focar nas regras que criamos com esse objetivo.



Desafios e Sacrifício: Descartando a Sorte Cega


Logo de cara, entendi que confiar na sorte para resolver problemas não seria aceitável nesse jogo. Nada destrói mais uma narrativa heróica do que ver um protagonista falhar numa cena crucial por causa de um lance de dados ruim. Isso pode ser engraçado ou divertido em outras circunstâncias, mas aqui, onde as consequências são graves e o cenário é tão realista, seria simplesmente inaceitável.


Por isso, desenvolvemos um sistema baseado nas escolhas estratégicas dos jogadores, baseadas nas habilidades e recursos de seus personagens. Nada de jogar dados e esperar pelo melhor. Aqui, um médico experiente não depende da sorte para diagnosticar uma doença; ele se dedica e investe tempo e energia para solucionar o problema; utiliza seu conhecimento, sua equipe, os métodos que aprendeu e os recursos disponíveis para resolver a situação. O esforço e a competência são a chave.


As regras de A Era do Sacrifício também precisam capturar a urgência e o caos das emergências reais. Queremos que vocês sintam a adrenalina, o cheiro de fumaça e o som das sirenes. Cada decisão precisa ser rápida e precisa, simulando a realidade onde uma ação pode significar a diferença entre a vida e a morte; e não só a sua, mas a de sua equipe e de tantos outros.


Para isso, introduzimos o Sistema de Sacrifício. Se você quer tomar uma ação que qualquer um pode fazer sem riscos a situação é resolvida narrativamente. Simples e direto. Mas se você quer tomar uma ação que apenas um profissional competente tem chances de executar com segurança; bom, isso é um Desafio! Nesse caso, o narrador propõe dois recursos, e o jogador escolhe qual será sacrificado. 


Os personagens começam com seis Recursos, o que exige uma gestão cuidadosa de suas ações. Essa mecânica simples cria uma tensão imediata e significativa, onde cada decisão conta. Por exemplo, um bombeiro pode ter que decidir entre salvar uma vida imediatamente ou garantir a segurança da equipe. Um paramédico pode escolher entre usar os últimos recursos em um paciente grave ou reservá-los para outros com maiores chances de recuperação. Cada escolha vem com um custo, seja em termos de tempo, saúde, reputação, dinheiro ou até mesmo a própria vida.


Competência Profissional: A Carreira como Pilar de Resiliência


Para enfatizar o heroísmo e a competência dos personagens (e aumentar sua vida útil em jogo), introduzimos a mecânica de Carreiras. Se um Herói enfrenta um Desafio dentro de sua especialidade - um médico lidando com uma emergência médica, por exemplo - ele não sacrifica seus Recursos. Ele conta com sua Carreira como um Recurso adicional. Isso significa que, enquanto atuam em suas especialidades, os personagens executam suas tarefas com eficácia e sem desgaste. Mas emergências raramente se limitam a um único campo, e frequentemente, os personagens precisam lidar com situações fora de suas zonas de conforto.


Para ações particularmente complexas e perigosas até mesmo para um profissional competente, o Sistema de Sacrifício exige dois recursos de três propostos, o que chamamos de Provações. Mesmo que a Carreira do seu Herói seja perfeita para essa ação, ainda assim ele deve Sacrificar pelo menos um Recurso! Não é o tipo de coisa para amadores, mesmo que bem intencionados.  


Para tarefas prolongadas, que chamamos de Projetos, os Recursos propostos ficam investidos. A decisão de qual deles será Sacrificado só ocorre na conclusão do Projeto, e se qualquer um deles forem Sacrificados antes, a tarefa falha. Novamente a Carreira é crucial, pois ela pode ser investida e usada mesmo que esteja atrelada a um Projeto.  


Como vocês podem perceber em A Era do Sacrifício, a jornada dos Heróis é marcada por decisões difíceis. Como na vida real, nada vem sem esforço ou um preço a pagar. Cada avanço vem com um custo. Os personagens precisam escolher constantemente onde dedicar suas energias e quais são suas prioridades.


O Herói falha numa ação dentro de sua Carreira quando e se o jogador decidir. E em qualquer circunstância eles podem optar em não Sacrificar nenhum Recurso e falhar por inação, mas a razão para uma decisão dessas pode ser o eixo mais intenso no drama das sessões. A falha do Herói é sempre o resultado de uma angustiante escolha baseada nas dificuldades das situações extremas, com profundas consequências na história. Em uma próxima entrada desse diário, desenvolveremos como funciona a economia de recuperação e evolução, e a importância do trabalho em equipe e motivado. 


Finalmente, em situações extremas, os Heróis contam com seus dois últimos Recursos. Eles podem sacrificar sua Saúde (física ou mental), o que pode impactar o desempenho do Herói de forma crítica. E em algum momento, eles talvez tenham que encarar o momento onde o Herói não tem mais nada a oferecer, a não ser sua própria Vida. Tão trágico, tão simples, e ainda assim tão próximo da realidade de tantos heróis anônimos. 


Na próxima entrada do diário, vamos discutir o processo de criação de personagens: suas histórias de vida, suas motivações e o que os torna realmente Heróis. Também abordaremos a construção da Equipe e o papel das memórias e conexões entre personagens.


Permaneçam atentos e fortes. Nos vemos em breve.


Douglas Mota


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